Catastrofe em Friburgo deixa mais de 300 mortos

Olá internauta. Abaixo fotos e texto retirados do Jornal A Voz da Serra. Dou destaque a Nova Friburgo porque foi lá que vivi quase cinco anos, e onde fiz muitos amigos! Continuamos orando pelos moradores da região serrana do Rio.
Foto do Jornal A Voz da Serra

Uma tempestade avassaladora na madrugada do último dia 12, deixou marcas terríveis em todo o município. Em menos de dez horas, choveu 300 milímetros, o suficiente para devastar bairros inteiros, matar centenas de pessoas e deixar milhares de desabrigados aqui e nos demais municípios da região serrana que, juntos, somavam até o início da noite de ontem, mais de 650 mortos. Rios transbordaram e avalanches desceram das encostas, soterrando o que encontravam pela frente. Faltou energia, água e telefone. Instalou-se o pânico entre a população. Ao amanhecer, foi possível constatar que Nova Friburgo havia se transformado num cenário de guerra.


Forças de segurança foram deslocadas para o município. Desde então, teve início a busca por sobreviventes em meio a escombros e lama. Todo o trabalho ainda é dificultado pela falta de acesso a muitas localidades, tanto na zona urbana quanto rural. Em meio ao caos, a solidariedade venceu barreiras e não só friburguenses como toda a população brasileira se uniu num grande mutirão em prol das vítimas desta que é, comprovadamente, a maior tragédia da história do pais.

Cronologia da maior catástrofe natural da história do Brasil

Terça-feira, 11 de janeiro
16h – Rua São Roque – Olaria
Um prédio de dois andares cai e mata duas pessoas. Naquele instante, não chovia na cidade. Não se sabe oficialmente as causas do desabamento. Parecia um aviso da tragédia que estava por vir.

23h – Começa a tempestade em toda a cidade. Em quase dez horas de chuva, a precipitação chegou a 300 milímetros.

Quarta-feira, 12 de janeiro
Começa o maior pesadelo já vivido pelos moradores de Nova Friburgo. Encostas deslizam, rios transbordam, avalanches dizimam comunidades inteiras.
O fornecimento de energia e água é interrompido, assim como a telefonia fixa e móvel, impedindo até mesmo o acesso aos serviços de emergência. Em meio a gritos e pedidos de socorro, moradores de todos os bairros e distritos, desesperados, tentam salvar vítimas em meio aos escombros. Um cenário de caos absoluto.
A população, desnorteada, sai para as ruas e constata a destruição avassaladora da cidade. Um verdadeiro tsunami vindo do céu.
Desaba um edifício residencial e algumas casas na Rua Cristina Ziede, no Centro, soterrando dezenas de pessoas. Três bombeiros que tentavam resgatar vítimas no local são atingidos pelo deslizamento de uma encosta no local.
A Praça do Suspiro, um dos principais pontos turísticos da cidade, é totalmente devastada. Toda a encosta do Morro do Teleférico deslizou, destruindo a Praça das Colônias, parte do Tiro de Guerra, a centenária Capela Santo Antônio e parte do Teatro Municipal.
O Rio Bengalas transborda e espalha um rastro de destruição por todo o centro da cidade e o distrito de Conselheiro Paulino, atingindo inclusive a Paróquia São Francisco de Assis, diversas lojas e inundando garagens de edifícios residenciais no eixo rodoviário.
O bairro Vila Amélia é devastado, isolando a 151° Delegacia de Policia, o bloco carnavalesco Globo de Ouro, o Sesi, o condomínio Bom Pastor, a Fábrica de Filó, o Filó Esporte Clube e dezenas de residências.
O bairro Lagoinha também é devastado, destruindo o Hotel Olifas. A rua que dá acesso ao bairro se transforma num rio caudaloso.
Rios e córregos afluentes do Bengalas invadem casas e mudam seu leito natural.
Quedas de barreiras impedem acesso à maioria dos bairros e loteamentos por todo o município.
O bairro Duas Pedras também é atingido. A praça Prudente de Moraes é arrasada. O antigo Centro Médico do Hospital São Lucas, na RJ 130 (Nova Friburgo – Teresópolis), que estava desativado, cedeu. O acesso ao São Lucas e a outros hospitais particulares é impedido.
Córrego Dantas, São Geraldo, Conquista, Solares, Campo do Coelho, Riograndina, Chácara do Paraíso, Nova Suíça, Amparo, todos os loteamentos do distrito de Conselheiro Paulino são atingidos por deslizamentos de encostas e transbordamendo de rios e córregos. Instaura-se um verdadeiro cenário de guerra, na tentativa de resgatar sobreviventes.
O Ginásio Celso Peçanha, anexo ao Instituto de Educação de Nova Friburgo, é aberto para receber os corpos resgatados na catástrofe, transformando-se num IML provisório.

Quinta-feira, 13 de janeiro
Começa o trabalho de reconstrução da cidade. Postos de arrecadação de alimentos são montados. Igrejas católicas e evangélicas abrigam sobreviventes, voluntários são cadastrados na Prefeitura. Durante todo o dia, a movimentação toma conta da cidade. O comércio permanece fechado, devido à impossibilidade de locomoção dos funcionários.

13h15 – A presidenta Dilma Roussef desembarca no Estádio Eduardo Guinle, ao lado do governador Sergio Cabral e seis ministros de Estado. Ao lado do prefeito Dermeval Barboza Moreira Neto, visitam várias áreas atingidas. Em seguida, Dilma se reúne no gabinete do Palácio Barão de Nova Friburgo e libera verba emergencial de R$ 780 milhões para a recuperação da cidade.

14h30 – Chegam à cidade as equipes da Força Nacional de Segurança e montam hospitais de campanha na Prefeitura de Nova Friburgo, Praça Dermeval Barbosa Moreira e Praça 1° de maio, em Olaria.

17h – O prefeito Dermeval Barbosa Moreira decreta estado de calamidade pública e luto oficial de 30 dias. O governador Sergio Cabral decreta luto de sete dias no estado do Rio e a presidenta Dilma Roussef decreta luto oficial de três dias em todo o país.

Sexta-feira, 14 de janeiro
Equipes da Força Nacional de Segurança intensificam os trabalhos de tentativa de resgate de vitimas soterradas nos locais de deslizamento, acreditando-se que ainda tenham pessoas vivas.

11h – Um boato dando conta de que uma adutora havia se rompido causa pânico na cidade, levando muitas pessoas ao desespero.

Continuam as buscas incessantes por sobreviventes e corpos nas áreas atingidas. Em algumas localidades, o socorro só chega por helicópteros das forças de segurança. A telefonia fixa e móvel permanece inoperante em diversas localidades. Mutirões da prefeitura, voluntários e equipes de segurança investem no trabalho de resgate de vítimas e corpos. Há dificuldade de deslocamento em todos os bairros, devido ao impedimento parcial das vias.

Segunda-feira, 17 de janeiro
13h – O corpo do ex-prefeito Paulo Azevedo é encontrado.

16h – O número de óbitos ultrapassa a 300 pessoas.

A dor, a tristeza e a desolação não têm fim. Os friburguenses e todos os que amam Nova Friburgo estão de luto.

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