…e a Pedro

ressureicaoMuitas vezes nos deparamos com momentos em que nos sentimos pouco importantes, desconsiderados, diminuídos, e desejamos ardentemente receber um simples gesto de apreço, mas o que conseguimos ver é apenas o vazio de nossa própria solidão e desamparo; conseguimos escutar o eco de nossa solitária voz num grito desesperado tentando ser ouvidos por alguém; olhamos em volta e tudo o que temos são nossas próprias pegadas que perdidas andavam em círculo procurando uma saída; tateamos na escuridão, mas não achamos mão que nos levante, e debalde empregamos esforços no uso desesperado dos sentidos pra conseguirmos enxergar pelo menos a esperança de uma faísca no fim do túnel, não é assim?

Houve um homem que passou por tudo isso. Sentiu-se completamente abandonado, sozinho, e teve de aprender que muitas vezes a força não se mede pela impetuosidade, pela violência, bravura e “coragem” humanos, mas por um simples olhar.

Ele sabia como controlar um barco na tempestade, mas não conseguia conter seus impulsos; sabia usar sua força física, mas não sustentava sua vulnerabilidade quando a solução consistia em domínio próprio; era preconceituoso, arrogante, pretensioso, e na santa ceia desejava ter não só os pés, como também a cabeça e as mãos lavados (Jo. 13:9); cortou a orelha do soldado Malco (Jo. 18:10), e por três vezes (Mc 14:66-72) negou Aquele a quem tinha dito daria a própria vida (Jo.13:37). Acovardado, seguia seu Mestre de longe (Mt. 26:58), não querendo ser reconhecido como um dos que andavam com Ele.

Esse homem, cujo coração inflamado necessitava de cura, após receber o olhar do Senhor (Lc. 22:61), reconheceu que o único remédio consistia não em ver a Luz, mas em estar na Luz; não em estar no templo, mas ser templo; entendeu que as Escrituras são apenas papel e tinta se não virarem “carne”.

Quando as mulheres se dirigiram ao sepulcro no domingo ainda bem cedo, e o encontraram vazio, surpreenderam-se com a notícia de que Cristo já não estava lá, pois havia ressuscitado. Mas o anjo, além da boa notícia, disse algo singular, que até hoje soa como se particularmente se referisse a cada um de nós: “… Não vos atemorizeis; (…) ide, dizei a Seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós…” (Mc. 16:7).

… E a Pedro. O mesmo Pedro que O havia negado, que havia olhado pra si mesmo quando andou por sobre as águas, submergindo pela falta de fé; o Pedro adormecido sob o peso do cansaço quando Cristo orava em angústia… Esse mesmo Pedro obteve do Senhor não uma lembrança casual, mas uma importância que transcende o nível da razão. Ele não mencionou… “e a João, a Matheus ou a Lucas”. Ele disse: …e a Pedro.

Da mesma forma ele diz: “… E aos ‘Pedros’” de hoje. Significa que não importa o quanto O tenhamos negado, quanta fé tenhamos perdido, quantas vezes submergido ou ainda quantas orelhas tenhamos cortado; Ele não se importa com isso porque foi um de nós e conhece nosso temperamento, nossas limitações e fraquezas. Ele apenas nos olha e diz: “… e a você”, filho querido, que amo e que quero ver feliz, realizado. Não me lembro do que fez, mas penso no que pode fazer por Mim e pra Mim.

Jesus não esperou que Pedro viesse a Ele, mas Ele foi onde estava. É assim conosco. Se ouvirmos uma voz dizendo: “… e a Maria, Alfredo, Camila, João, você!”, não hesitemos; ao invés do Senhor vir a nós, corramos para Seus braços.

By GP

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