Será? Então fala! Como assim?

Visita ao amigo Elias na sede da Rede Novo Tem em Jacareí -SP
Visita ao amigo Elias na sede da Rede Novo Tempo em Jacareí -SP, durante encontro de diretor NT

Estas eram expressões constantes nos anos de 2004 a 2005. Acontecia que nessa época eu vivia em Nova Friburgo (RJ), e trabalhava com uma equipe do barulho. E o mais barulhento deles era com certeza o velho amigo Elias Teixeira, vulgo “Poço”. Começávamos o trabalho cedo, a partir das 7h, e às vezes até antes. O frio melancólico da região serrana tomava conta da redação durante aqueles dias, e precisávamos nos esforçar pra manter as mãos aquecidas e trabalhar escrevendo as notícias do jornal.

Era em meio esse ambiente que habitava a equipe da Rede Novo Tempo de Rádio. Um durante uns comentários o colega Elias começou a interrogar toda e qualquer afirmação que fazíamos. Bastava falar algo e lá vinha ele; Será? Quanto mais tentávamos justificar ou responder algo, sempre ouvíamos o “Será?”. Como se já não bastasse, depois que tudo se acalmava, e o silêncio imperava, do nada o Elias virava pra gente e dizia; então fala!

Como é que alguém do nada vira pra você, olha nos olhos e simplesmente diz “então fala” no tom de seriedade? E às vezes os desavisados ainda tentavam balbuciar algo. Logo no início todo mundo caia. Mas a coisa ficou comum, e como se não bastasse o “poço*” veio com mais uma. Depois do “Será?”, e o do “então fala”, o cara me veio com o “como assim?”.

Virou motivo de chacota a coisa. Primeiro duvidava de tudo, depois o cara do nada pedia “então fala” (isso com intervalos de pleno silêncio e concentração), pra encerrar ele olhava com uma cara de curiosidade e dizia “como assim?”. Acabou virando brincadeira, no setor todo mundo já discursa assim. Mas um dia o autor dessas obras sofreu com a própria invenção.

Eu nunca fui de controlar muito o riso em situações hilariantes, mas graças à seriedade da profissão fui aprendendo a me conter, ainda mais ao vivo. O Elias então nem se fala, um cara altamente sério, compenetrado, quase nada poderia tirar-lhe a seriedade nos noticiários. Foi então que numa tarde de abril estávamos eu e Elias iniciando o programa Conexão Novo Tempo. Com a locução ponto a ponto nós fazíamos o estilo que chamados “rádio antigo”, emocionante!

Ao centro Pr Enoc Polheim, sua esposa Albenir, Milchele Malinoski, à esquerda Sandro Barcelos, Elias Teixeira, Ronaldo Fagundes, José Antônio Ferrari, Alan Rodrigues, Daniel Oliveira, EU, e Edson Junior
Ao centro Pr Enoc Polheim, sua esposa Albenir, Michelle Malinoski, à esquerda Sandro Barcelos, Elias Teixeira, Ronaldo Fagundes, José Antônio Ferrari, Alan Rodrigues, Daniel Oliveira, EU, e Edson Junior.

Então logo após a saudação aos ouvintes o Elias começou a apresentar o quadro “Hoje é Dia”, que falava sobre as datas históricas e comemorativas. O “poço*” com toda a seriedade e ar de sabedoria esboçou; “No dia 22 de abril de 1500, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil”, e complementou; “É isso mesmo Alessandro Simões?” lembro disso como se fosse a cena de um filme. Levantei a cabeça lentamente olhei – com a aquela cara de quem não sabia se falava ou não, se ria ou se chorava – para o Elias e naturalmente retruquei; “Será Elias?”

Foi o suficiente pra acabar com todas as bases da seriedade. Elias não sabia o que fazer, segurou o sorriso a gargalhada, e numa tentativa sobre humana de segurar o seu desejo de chorar de rir falou; “olha ….pelo menos é isso que dizem os livros de história…” Vocês não tem noção de um momento assim. Por mais que a gente tente, não tem como segurar. O início do programa foi uma zona, o cara lia uma manchete e começava a rir, lia outra e soltava o ar espremido pela pelos lábios.

Nessa altura eu já tinha saído do estúdio por não suportar a pressão. Por vezes tentei voltar, mas quando olhava pelo aquário pra ver o nível de concentração do “Poço”, ao me notar os olhos dele se enchiam de lágrimas como que se estivesse dizendo: “some daqui, por favor, se não vou estourar de rir ao vivo!” Então foi assim, nesse dia eu só entrava no estúdio durante os intervalos. Não tivemos mais condições de apresentar aquela edição do dia juntos, era impossível.

Essa é uma das boas lembranças daquele saudoso tempo, que teve as suas dificuldades, mas a frase que sempre dizíamos “a gente ganha pouco, mas se diverte” traduz a satisfação de ter vivido ali e trabalhado aí com os colegas.  Hoje diante de certas situações, sérias ou hilárias, sempre usos essas expressões. Por isso, o será? Então fala! E Como assim? Sempre surgem entre os que estão mais próximos de mim.

*Poço – Na época costumávamos chamar o amigo assim por ser tratar de um “poço de sabedoria” rsrs.

4 comentários em “Será? Então fala! Como assim?

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  1. É amigo Alessandro Simões, quantas recordações maravilhosas de um tempo que, infelizmente, não volta mais.
    Como bem disse o nosso amigo Elias, estamos juntos numa mesma missão. Mesmo distantes permaneceremos pertos, unidos por boas lembranças e uma amizade que perdurará por toda a eternidade. Também como escreveu nossa amiga e grande comunicadora Michelle, fazemos parte de um tempo que jamais será apagado de nossa mente e de nossos corações. Muito aprendemos, rimos, brincamos sempre focados numa causa verdadeira e única; levar a mensagem de salvação às pessoas.
    Hoje, mesmo por estradas diferentes, caminhamos rumo ao mesmo lugar. Lugar onde poderemos reviver e viver momentos eternos de plena paz e felicidade com Jesus.
    Um forte abraço e que o Senhor continue te guiando e protegendo!!

  2. Eita! O pr. Enoc de bigode e de cabelo mais escuro! Que loko! E a cabeleira do Elias que parece aqueles chapéus de pele de animalzinho fofo que os russos usam (nos filmes). Hehe -mto legal essa foto.

  3. Trabalhar com colegas “afinados” é sempre um aprendizado para nós. O nosso trabalho, acima de tudo deve ser feito com leveza e responsabilidade. Boa lembrança essa do Descobrimento do Brasil. Apesar de os livros de história falarem sobre essa data, há controvérsias… “É isso mesmo, Alessandro?” – Foi uma maneira de chamar a atenção para o assunto e levar a uma reflexão, talvez nem tão relevante como a consequência de ter o amigo Alessandro fora do ar naquele dia. Mas que bom Alessandro. Estamos juntos na mesma causa. Fazer o nosso trabalho com responsabilidade. E isso você sempre fez enquanto estivemos juntos em Nova Friburgo. Você foi um guerreiro administrando o seu horário de trabalho com a vida acadêmica. Isso é para quem quer, não para quem pode. Um forte abraço para você e muito sucesso em sua carreira e missão.

  4. Alessandro Simões!!! Muito boas lembranças da nossa época de Rede Novo Tempo. Um tempo que jamais será apagado dos nossos corações, pois foi um tempo de total dedicação ao rádio, de aprendizado, das brincadeiras com os colegas que eram como uma família, unidos pelo amor à profissão e a mensagem nobre. Apesar das dificuldades que cada um enfrentava para estar ali, para estudar e tentar levar o melhor ao ar, longe da família muitas vezes, eramos recompensados pela satisfação do carinho dos ouvintes e dos resultados alcançados com a audiência e o crescimento da música e do jornalismo cristão. Muito bom termos essa amizade que começou ali e durará para sempre, pois os laços que uniram nossos caminhos não foram mero acaso, foram divinos. Abração!

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